segunda-feira, 9 de abril de 2012

Segundo Trabalho Teórico da Segunda Proposta de Trabalho - Análise de uma fotografia




A fotografia que selecionei para analisar foi a que tirei ao cartaz da peça “As Bocas dos Mortos” que está em exibição no teatro Rivoli, no Porto.
Escolhi esta fotografia, pois penso que de todas as composições que vi e recolhi para o meu blog, esta é a que mais se assemelha ao projeto que nos foi proposto, dado que, como podemos reparar, existe um texto de base (em segundo plano) e a frase “As Bocas dos Mortos” destacada-se por ente as restantes palavras, que compõe o texto.
“Pensada como um permanente diálogo com os mortos, a partir da exposição dos cadáveres da Alemanha e do Mundo gerados pela Guerra, As Bocas dos Mortos procura dar voz diluindo a separação entre os viventes e os mortos - porque em certa medida, estamos todos mortos ,sobreviventes à espera do devir.” (http://asbocasdosmortos.wordpress.com/page/3/)
Este pequeno texto representa o mote desta peça e penso que está muito bem ilustrado na composição do cartaz, já que as cores utilizadas são o branco e o preto que estão em contraste, assim como a morte e a vida.
Compreendemos, também, que o título da peça se sobrepõe em tamanho ao restante texto, dando quase a ilusão de que o está a “consumir”, mostrando assim que todos os vivos serão um dia mortos, este efeito coloca-nos perante um composição fantasmagórica, que simula deslocação e movimento nas letras, tanto devido ao tamanho de umas letras, em comparação com as outras, como também, devido ao espaçamento entre elas.
Quanto ao tipo de letra, aqui foi usado um tipo de letra grotesco, de que é exemplo a Helvética, dado que não tem serifa, é redonda, expandida, fina, média (seminegra) e negra em praticamente todos os seus tipos.
Fazendo uma breve contextualização histórica, o desenho deste tipo de letras inspirou-se nas inscrições lapidárias, fenícias ou gregas, feitas com bastões sobre tijolos ou argila, daí lhes chamarem letras lapidárias ou de bastão. Os ingleses intitulam-na de sans serif (sem serifa) e os americanos, para além deste nome atribuem também o nome de góticas ou block-letters.  Já os espanhóis denominam-nas de letras de palo seco, os alemães de grotescas e os franceses de antique.
O primeiro tipo desta família de letras nasceu em 1816, embora só se tenhas tornado mais conhecida em 1925, quando surgiu o tipo Futura (Paul Renner), que continua a ser usada e inspirou quase toda a variedade de tipos pertencentes a esta família, como por exemplo, a Helvética, Univers, Akzident, Kabel, entre outras.
Concluímos, então, que este é um tipo de letra é apropriado para ilustrar este tema, uma vez que remonta à antiguidade, era usado nas próprias lápides e aqui falamos em vida e morte e no seu contraste, como tema principal. Este é também, um tipo de letra forte, claro e relativamente fácil ler, o que é adequado, uma vez que o efeito utilizado (aparente movimento e deslocação nas letras) dificulta a leitura.




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