A fotografia que selecionei para
analisar foi a que tirei ao cartaz da peça “As Bocas dos Mortos” que está em
exibição no teatro Rivoli, no Porto.
Escolhi esta fotografia, pois penso que de todas as composições que vi e recolhi para o meu blog, esta é
a que mais se assemelha ao projeto que nos foi proposto, dado que, como podemos
reparar, existe um texto de base (em segundo plano) e a frase “As Bocas dos
Mortos” destacada-se por ente as restantes palavras, que compõe o texto.
“Pensada como um permanente
diálogo com os mortos, a partir da exposição dos cadáveres da Alemanha e do
Mundo gerados pela Guerra, As Bocas dos
Mortos procura dar voz diluindo a separação entre os viventes e os
mortos - porque em certa medida, estamos todos mortos ,sobreviventes à
espera do devir.” (http://asbocasdosmortos.wordpress.com/page/3/)
Este pequeno texto representa o
mote desta peça e penso que está muito bem ilustrado na composição do cartaz,
já que as cores utilizadas são o branco e o preto que estão em contraste, assim
como a morte e a vida.
Compreendemos, também, que o
título da peça se sobrepõe em tamanho ao restante texto, dando quase a ilusão
de que o está a “consumir”, mostrando assim que todos os vivos serão um dia
mortos, este efeito coloca-nos perante um composição fantasmagórica, que simula deslocação e movimento nas letras, tanto devido ao tamanho de umas letras, em comparação com as outras, como também, devido ao espaçamento
entre elas.
Quanto ao tipo de letra, aqui foi
usado um tipo de letra grotesco, de que é exemplo a Helvética, dado que não tem serifa, é redonda, expandida, fina, média (seminegra) e negra
em praticamente todos os seus tipos.
Fazendo uma breve
contextualização histórica, o desenho deste tipo de letras inspirou-se nas
inscrições lapidárias, fenícias ou gregas, feitas com bastões sobre tijolos ou
argila, daí lhes chamarem letras lapidárias ou de bastão. Os ingleses intitulam-na
de sans serif (sem serifa) e os
americanos, para além deste nome atribuem também o nome de góticas ou block-letters. Já os espanhóis denominam-nas de letras de palo seco, os alemães de grotescas e os franceses de antique.
O primeiro tipo desta família de
letras nasceu em 1816, embora só se tenhas tornado mais conhecida em 1925,
quando surgiu o tipo Futura (Paul
Renner), que continua a ser usada e inspirou quase toda a variedade de tipos
pertencentes a esta família, como por exemplo, a Helvética, Univers, Akzident,
Kabel, entre outras.
Concluímos, então, que este é um tipo de letra é apropriado
para ilustrar este tema, uma vez que remonta à antiguidade, era
usado nas próprias lápides e aqui falamos em vida e morte e no seu contraste, como tema principal.
Este é também, um tipo de letra forte, claro e relativamente fácil ler, o que é
adequado, uma vez que o efeito utilizado (aparente movimento e deslocação nas letras) dificulta a leitura.

Sem comentários:
Enviar um comentário